Nova Luz sobre o Sangue


A Perspectiva Histórica


Nota do Tradutor: As obras citadas que não tenham sido editadas em português ou cujo título em nossa língua me é desconhecido (com exceção daquelas dos Pais da Igreja), tiveram seus nomes mantidos no original. Da mesma forma, as edições das revistas da Sociedade que são aqui referidas são as americanas, podendo seu conteúdo em alguns casos não corresponder ao daquelas publicadas em outros países na mesma data.

 

NESTA SEÇÃO, tentaremos documentar uma parte das informações históricas mais relevantes em relação ao sangue, e então examinaremos os vários aspectos históricos mais recentes da postura da Sociedade nesta questão.

A Sociedade alega que os cristãos devem se abster de sangue e que a igreja cristã primitiva tinha isso como regra universal. Considerando que as Escrituras Gregas (ou Novo Testamento) não diz isso em parte alguma, e que na única passagem em que a ingestão de sangue é mencionada todo o contexto mostra o propósito de não ofender os judeus, essa alegação não é válida (vide a introdução para mais detalhes).

A Sociedade acha útil então apelar para certos escritos cristãos primitivos. Isso é espantoso, já que ela ensina que a grande apostasia aconteceu logo após a morte do apóstolo João, e sempre se recusa a aceitar a palavra dos Pais da Igreja como válida em qualquer outra questão. Além disso, aqueles que tenham investigado esses escritos podem verificar que muito dificilmente havia concordância entre eles sobre qualquer assunto, mesmo nos mais essenciais. É particularmente digno de nota para as Testemunhas que se engajam em debates sobre a Trindade e apelam para esses textos como evidência histórica para sua posição, que seus oponentes freqüentemente achem outros textos-prova mostrando o contrário.

O que é evidente é a forte discordância entre os Pais da Igreja mesmo quanto à natureza do corpo de Cristo. Sabemos da diversidade dos pontos de vista, desde o de Ário, cuja posição era algo semelhante à nossa, à de Atanásio, que desenvolveu a doutrina que depois se tornou a Trindade hoje conhecida. Usar esses homens como autoridades na fé é muito pouco honesto, quando a Sociedade argumenta serem eles parte de uma cristandade apóstata. Não obstante, concordamos que os seus escritos podem nos ajudar a descobrir como os primeiros cristãos interpretavam certos textos bíblicos.

Vejamos como a Sociedade recorre a certos textos dos primeiros cristãos em busca de apoio para sua proibição do sangue:

"E mais de cem anos depois, em 177 EC, em Lyons (na atual França), quando inimigos religiosos acusaram falsamente os cristãos de comerem crianças, uma mulher chamada Biblis disse: 'Como poderiam tais homens comer crianças, quando são proibidos de comer o sangue até mesmo de animais irracionais?"-A História Eclesiástica, de Eusébio, V, I, 26.

"Os primeiros cristãos se abstinham de toda e qualquer espécie de sangue. A esse respeito Tertuliano indicou em sua obra Apologia (IX, 13, 14): "Deixai vosso erro corar ante os cristãos, pois não incluímos nem mesmo o sangue de animais em nossa dieta normal. Abstemo-nos igualmente das coisas estranguladas ou que morreram por si mesmas, pois que não podemos de modo algum ser manchados pelo sangue, ainda quando entranhado na carne. Finalmente, quando vós pondes os cristãos à prova, vós lhes ofereceis salsichas cheias de sangue; vós sabeis perfeitamente, é claro, que isso é proibido entre eles, mas quereis fazê-los delinqüir." Minúcio Félix, um advogado romano que viveu até cerca de 250 EC, tocou no mesmo assunto, escrevendo: "Para nós não é permitido sequer ver ou ouvir o degolamento de pessoas; temos tamanha aversão a sangue humano que em nossas refeições evitamos o sangue dos animais usados na alimentação."-Octavius, XXX, 6. (Insight on the Scriptures, 1988, vol. 1, p. 346)

A questão do sangue dificilmente terá chegado a ser o centro das atenções da fé cristã nos primeiros anos. Não a encontramos de forma alguma expressa como um artigo de fé, e as poucas referências encontradas pela Sociedade Torre de Vigia se limitam meramente a registrar a prática de não ingerir sangue como um argumento contra as acusações então muito espalhadas de que os cristãos bebiam o sangue de crianças (um mito popular que provavelmente se originou da cerimônia da Eucaristia ou Santa Ceia). Deve-se observar que em nenhum desses casos seria útil aos escritores cristãos explicar o fundamento para essa prática porque teria invalidado seu argumento.

Na brochura "As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue" (1977), encontram-se as mesmas referência que em Insight. Há também uma nota de rodapé na página 14 com o que soa como uma grande abundância de evidências adicionais:

"Outras referências (dos séculos II e III) apoiando esta aplicação de Atos 15:28,29 são encontradas em: Contra Celso VIII, 29, 30 e Comentário sobre Mateus XI, 12, de Orígenes; O Instrutor II, 7 e A Stromata IV, 15, de Clemente; As Homílias Clementinas VII, 4, 8; Reconhecimentos de Clemente IV, 36; Diálogo XXXIV, do Mártir Justino; Tratados XII, 119, de Cipriano; O Ensino dos Doze Apóstolos VI; Constituições dos Santos Apóstolos VI, 12; Da Morte de Peregrino 16, de Luciano."

O que a Sociedade deixa de nos dizer é que o Livro de Atos existia em várias versões nesses primeiros séculos. Para alguns escribas, a conclusão a que chegou o Concílio Apostólico pareceu estranha, e eles a mudaram para parecer mais correta. Nos chamados textos ocidentais, portanto, os apóstolos chegaram a uma conclusão diferente:

"(b) O texto ocidental omite 'o que é estrangulado' e adiciona uma forma negativa da Regra Áurea em 15:20 e 29. ...A esse respeito (b), é óbvio que a tríplice proibição... se refere a injunções morais a fim de refrear a idolatria, a falta de castidade e o derramamento de sangue (ou homicídio), às quais se acrescenta a Regra Áurea negativa." 1

Esses "textos ocidentais" é que foram usados por um número significativo desses primeiros autores cristãos, e tais textos já tinham substituído as regras puramente rituais na descrição original do Concílio Apostólico por regras morais. Torna-se óbvio, portanto, que esses copistas posteriores não sabiam do fundamento da proibiçào do sangue e fizeram esforços para entender o texto. Para fazê-lo mais aceitável, eles "corrigiram" o texto para torná-lo uma lista de 3 leis morais contra: a idolatria, a falta de castidade ou despudor e o assassinato. E dificilmente alguém negará o fato de essas regras se aplicarem a todos os criatãos! Não admira, então, que os primeiros autores cristãos alegassem que o Concílio Apostólico ainda estava em vigor.

Sobre esses textos, lemos:

"Dos modelos remanescentes de textos que Westcott e Hort isolaram, o chamado Modelo (ou Tipo) Ocidental tanto era muito antigo quanto largamente usado... Sua data de origem deve ser muito recuada, talvez antes da metade do segundo século. Marcial, Tatiano, Justino, Irineu, Hipólito, Tertuliano e Cipriano fizeram, todos eles, uso em maior ou menor extensão desse modelo" 2

Assim, um número significativo dos primeiros autores aos quais a Sociedade recorre usavam um texto indicando que, quando os apóstolos falavam de abstenção de sangue, eles falavam de abstenção de homicídio- derramamento de sangue- e não de ingestão de sangue. Não é de surpreender, portanto, que esses autores argumentassem que a determinação do concílio ainda valia para os cristãos! A Sociedade distorce as evidências ao buscar em Cipriano e Tertuliano suporte à sua interpretação do Concílio Apostólico.

Logo, quando alguns dos autores primitivos diziam se abster de sangue, isto não tinha nada a ver com o texto de Atos 15, pois, até onde eles sabiam, estava-se proibindo o homicídio, não a ingestão ou alimentação de sangue. É evidente, claro, que o costume de não ingerir sangue, ao menos entre alguns dos primeiros cristãos, era baseado no antigo decreto de Jerusalém que visava a evitar aborrecer os judeus. Mas não há nenhuma proibição bíblica explícita, apenas um desenvolvimento cultural.

Muitos cristãos atuais têm proibições culturais semelhantes a essa. Alguns seguem a Torá e evitam o casamento entre parentes próximos, a maioria proíbe a poligamia, outros têm o domingo como um "sábado cristão", etc., apesar de não se achar qualquer lei a explicitar isso no Novo Testamento. Como Testemunhas de Jeová nós temos muitos tabus próprios contra coisas como dizer "boa sorte", brindes, e outras coisas que consideramos "pagãs", também sem qualquer base na Bíblia. Em alguns casos elas nem são mais proibidas na literatura da Sociedade.

Da mesma maneira, pela época em que a questão de não escandalizar os cristãos judeus passou a ficar em último plano, a recomendação de Atos 15:28, 29 foi estendida e transformada em um tabu cultural, uma lei de não ingerir sangue. Os mecanismos por trás dessa ampliação de sentido são fáceis de entender. Vemos que mesmo na congregação cristã primitiva, muitos queriam estabelecer regras e regulamentos muito além do necessário para os cristãos regidos pela lei divina do amor. É particularmente interessante notar que um dos textos a que a Sociedade Torre de Vigia (STV) apela é Da Modéstia, de Tertuliano. Qualquer Testemunha de Jeová que leia esse texto extremista verá reforçada ainda mais sua crença de que esses Pais da Igreja freqüentemente pervertiam e se desviavam do cristianismo dos apóstolos.

Além disso, o fato de que o decreto foi mudado de um conjunto de regras rituais para normas éticas demonstra que ele foi interpretado como uma lei temporária por muitos copistas e cristãos primitivos. A despeito de muitos cristãos terem cometido exatamente o mesmo erro que a STV ao interpretarem a proibição do sangue como eterna (tal como ocorreu com Martinho Lutero), essa evidência textual reforça ainda mais a posição de que o decreto foi feito para evitar chocar os judeus cristãos, e não para valer como uma lei universal e eterna.

Sumário de evidências nas Escrituras Cristãs. Os escritos dos Pais da Igreja dão pouco suporte à idéia de que o Concílio Apostólico tenha criado uma lei universal contra a ingestão do sangue. O assunto pode dar margem a debates, mas essa é uma posição frágil. Além do que, como nós vimos, uma transfusão não é a mesma coisa que se alimentar de sangue. Ainda mais importante do que isso é o fato de que nenhuma opinião da era pós-apostólica pode mudar a evidência direta dada no próprio Novo Testamento:

  1. O próprio Tiago declara que essas quatro injunções foram feitas por causa de a Torá ser lida nas sinagogas judaicas todo sábado.(Atos 15:21).
  2. Como eumeração de regras universais para os cristãos, algumas, como o homicídio e o roubo, estão claramente ausentes. Os quatro requerimentos listados em Atos 15:20,29 são exatamente as mesmas regras compulsórias impostas aos estrangeiros residentes no Antigo Israel, registrados, inclusive, na mesma ordem(Lev 17:1 to 18:27).
  3. As próprias palavras usadas nem sequer estão no modo imperativo, como certos especialistas em grego têm enfatizado. Esse fato sozinho já mina completamente o argumento da Sociedade.
  4. Mais tarde, Tiago repetiu que a carta fora enviada para evitar escandalizar os cristãos judeus, e recomendou a Paulo se submeter a um rito judaico pela mesma razão. Abster-se de ingerir sangue não era um dever cristão mais do que a realização de uma cerimônia judaica.(Atos 21:23-25)
  5. Paulo enfatizou em sua carta que a liberdade cristã dava a eles o direito de comer a carne oferecida aos ídolos, uma das coisas explicitamente mencionadas em Atos 15. Mesmo assim, Paulo observou que eles deveriam se abster de chocar os irmãos mais fracos(1Co 8:1,4,7).
  6. Jesus observou que nada vindo de fora do corpo podia corromper uma pessoa, o que necessariamente incluiria carne contendo sangue(Mr 7:15).

 


A Moderna Perspectiva Histórica

A moderna aplicação de certos textos bíblicos, em especial Atos 15:28,29, para sustentar uma proibição do sangue para os cristãos não era compartilhada por nosso fundador, Charles Taze Russell. Num comentário sobre o concílio de Atos 15, ele disse:

"Ele [Tiago] sugeriu, mais adiante, escrever-lhes para simplesmente se absterem das impurezas dos ídolos (versículo 29), das coisas estranguladas e do sangue- como se por comerem tais coisas eles estivessem se tornando pedra de tropeço para seus irmãos judeus (vide 1 Cor. 8:4-13)- e da fornicação." (Zion’s Watch Tower, 15/11/ 1892, p. 1473 reimpressão)

E assim vemos que, embora as transfusões de sangue ainda não estivessem em uso, Russell foi claro em dizer que ele não considerava a lei dietética sobre o sangue como válida para os cristãos.

Após a morte de Russell, a Sociedade gradualmente mudou seu ponto de vista. "A Sentinela" de 15/12/1927, página 371, sugeria fortemente que a "proibição do sangue" em Genesis 9:4 se aplica a todos os homens. Entretanto, como se tratava unicamente de uma regra dietética sobre o sangue, essa questão não causou polêmica.

A chave para o surgimento da atual doutrina do sangue foi a indicação de Clayton J. Woodworth para editor da revista Golden Age. Como já aprendemos no artigo "Quack Medicine" ("Medicina Fajuta"), na seção que trata da perspectiva científica, o Irmão Woodworth usou a revista como meio de divulgação para as suas inacreditáveis opiniões sobre ciência e medicina. E é aqui, em meio à insânia e à paranóia, que encontramos as raízes da doutrina do sangue da STV.

O que segue é um breve esboço do desenvolvimento histórico dessa doutrina:

1892 - A primeira menção da STV à questão do sangue. A opinião de Russell era de que a recomendação do livro de Atos era uma medida temporária tomada para promover a unidade na congregação durante a transição da era judaica para a era da igreja ("A Sentinela", 15/01, pp. 349-352).

1909 - O Irmão Russell faz comentários sobre o capítulo 15 de Atos indicando sua crença de que observar a proibição "NÃO FAZIA DELES CRISTÃOS", mas servia para preservar o corpo dos cristãos e dos gentios. ("A Sentinela", 15/4, p.4374)

1919 - Clayton J. Woodworth se torna editor da revista Golden Age (15/02/52, p. 128)

1923 - Um artigo intitulado "A Fraude da Vacina" dá início à oposição da Sociedade à vacinação (Golden Age, 01/3, p.211 #35). Uma citação, para exemplificar: "Quando foi mostrado conclusivamente não haver provas de haver coisas tais como a raiva."(Golden Age, 22/4, p.455, #15).

1925 - O homem que doa sangue com freqüência é elogiado. (Golden Age, 29/7, p. 683, #52).

1929 - Vacinas são novamente condenadas: "Pessoas sensatas prefeririam a varíola à vacina... Pois a prática da vacinação é um crima, um ultraje e uma ilusão... nunca salvou uma só vida."(Golden Age, 1/5, p. 502, #40).

1931 - As vacinas são uma violação do "pacto eterno"que Deus fez com Noé. (Golden Age 4/2/31, p. 293)

1931 - A Sociedade reconhece que Gen. 9 e o "pacto eterno" não são realmente sobre a ingestão de sangue. "Todas as mentes racionais devem concluir que não era à ingestão de sangue que Deus se opunha, mas ao contato do sangue da besta com o sangue do homem." (Golden Age, 4/2, p. 294, #42).

1935 - A vacinação é uma injeção direta de matéria animal na corrente sangüínea e uma violação direta da lei de Jeová Deus (Golden Age, 24/4/35, p.465). Por 17 anos as Testemunhas recusam a vacina contra a varíola, até a Sociedade, após a morte do Irmão Woodworth, suspender sua proibição. Durante esse período, muitas ilustrações apareceram na revista Golden Age mostrando coisas como pilhas de bebês com marcas de injeção, prejudicados pelas vacinas. Outras mostravam "médicos narcotizados segurando seringas onde se lia "pus". Hoje mal podemos imaginar a incrível situação que se criou em torno desse assunto. As crianças não podiam ir à escola sem um certificado de vacinação, as Testemunhas não podiam entrar ou sair do país onde estivessem, e as que estavam nas prisões eram postas em solitárias.

É importante lembrar o quanto o problema da varíola era grave nessa época. Em 1921 havia 100.000 casos apenas nos EUA, com taxas de mortalidade chegando a 40%. Só podemos especular sobre qual foi o número de Testemunhas de Jeová que sofreram danos físicos ou até morreram em virtude da proibição das vacinas imposta pela STV.

1940 - Relato de um médico que doou um quarto de seu próprio sangue durante uma emergência. Esse gesto foi considerado heróico ("Consolação", 25/12, p. 19, #53).

1945 - Transfusões de sangue e seus derivados são oficilamente banidos como práticas "pagãs e desonrosas a Deus." ("A Sentinela", 1/7/45, p. 198-201)

1949 - Os transplantes de órgãos são considerados inquestionáveis e "maravilhas da cirurgia moderna." (22/12/49 - "Poupe Partes de seu Corpo")

1951 - Clayton J. Woodworth, editor da revista "Golden Age"/"Consolação" até ela se tornar a atual "Despertai!" em 1946, falece e é sepultado em 18 de dezembro de 1951. ("A Sentinela", 15/2/52, p. 128)

1952 - Em carta datada de 15 de abril de 1952, as vacinas, entre as quais a da varíola, são agora oficialmente permitidas. Muitas Testemunhas já as tinham tomado por cerca de 12 anos, e a Sociedade toma agora conhecimento de que a vacina contra a varíola não contém sangue graças ao aviso de uma Testemunha chamada William Cetnar. É razoável supor que a proibição não foi oficialmente suspensa antes desse ano por respeito a Clayton J. Woodworth, que era um feroz inimigo da vacinação.

1953 - "As vacinas não são mais consideradas alimentação de sangue e como ligadas às relações sexuais." ("Certifique-se", p. 48, #47).

1958 - Uma resposta às "Questões dos Leitores" explica que uma irmã ungida deveria poder tomar parte dos emblemas do memorial mesmo se ela tivesse tido uma transfusão de sangue, pois ela seria apenas imatura. (Watchtower 1/8/58, p.478)

A regra sobre soros à base de sangue, como a antitoxina para a difteria e a gamaglobulina, afirma que estes podem ser usados segundo a consciência individual. ("A Sentinela", 15/9/58, p.575)

1959 - O sangue deve ser derramado, logo, seria errado alguém remover o próprio sangue, armazená-lo e depois recebê-lo de volta. (Watchtower 15/10/59, p. 640)

1961 - Aceitar sangue ou um de seus derivados proibidos passa a ser um ato punido com a desassociação. ("A Sentinela",15/1/61, p. 63-64)

1961 - Doação de órgãos é uma decisão pessoal. ("A Sentinela", 01/8/61, p. 480)

1961 - Traços de personalidade, impulsos suicidas e tendências ao assassinato são transmitidos pelo sangue. ("A Sentinela", 15/9/61, p. 564)

1963 - Nova regra sobre os soros. A de 1958 é derrubada. Qualquer fração de sangue é agora considerada como um nutriente e, portanto, proibida. A regra não se aplica às vacinas. ("A Sentinela", 15/2/63, p. 124)

1964 - Médicos Testemunhas de Jeová podem realizar transfusões em pacientes não-Testemunhas.. ("A Sentinela", 15/11/64, p.6820)

1966 - Tranfusões são citadas como ato de canibalismo.("A Sentinela", 01/7, p. 401, #57).

1967 - Transplantes de órgãos agora são canibalismo. Essa é mais uma reversão total. A doação de órgãos passa a ser fortemente desencorajada.("A Sentinela", 15/11/67, p. 702)

1971 - O coração não é apenas uma bomba, é ligado ao cérebro pelos nervos e é o verdadeiro órgão onde as afeições, motivações, desejos e emoções são literalmente formados. ("A Sentinela", 01/3/71, p. 133-135)

1974 - Mais uma nova luz, que na verdade é uma velha luz, sobre os soros. Novamente eles são assunto a cargo da consciência de cada um, apesar do artigo parecer sugerir que eles não são uma idéia muito boa. ("A Sentinela", 1/6/74, p. 352)

1975 - Em relação ao tratamento para a hemofilia com fatores de plasma, a Sociedade diz, é claro, que os "verdadeiros" cristãos não usam esse tratamento, valendo-se do mandamento bíblico de que se deve abster de sangue. ("Despertai!", 22/2, p.30, #74).

1975 - Quatro meses depois, outra reversão. O Corpo Governante decide que as frações de sangue tomadas pelos hemofílicos são aceitáveis como assuntos de consciência. No começo dos anos 70 foi dito aos irmãos que eles deviam aceitar o tratamento uma única vez (?). Os que telefonaram para a Sociedade após 11 de junho recebem a informação de que podem tomar uma decisão pessoal sobre usar ou não os fatores VIII e IX. Esta política não se tornará oficial pelos próximos 3 anos porque o Corpo Governante não quer voltar atrás assim tão rápido. Aqueles que escreveram perguntando sobre o uso dos fatores VIII e IX são contatados diretamente pela Sociedade. Os que apenas telefonaram não podem ser contatados e provavelmente morrem.

1975 - Aqueles que aceitaram transplantes de órgãos e transfusões de sangue podem sofrer também um transplante de personalidade. ("A Sentinela", 1/09/75, p. 519)

1977 - As transfusões de sangue são agora consideradas transplantes de órgãos, e os pais devem ter o direito de recusar transfusões para seus filhos. ("As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue", p.41)

1978 - Uma postura mais suave quanto aos soros. Aparentemente eles não são um método de "sustentar a vida". Os hemofílicos agora tomam oficialmente conhecimento de que podem aceitar tratamento com componentes ou frações de sangue. Se haviam contatado a Sociedade, eles já sabiam disso desde alguns anos; se não haviam contatado, então provavelmente já estavam mortos por essa época. As Testemunhas podem usar máquinas cárdio-respiratórias desde que sem fluidos à base de sangue. ("A Sentinela", 15/6/78, p. 30-31)

1980 - Mais uma nova luz, ou melhor, velha luz sobre os transplantes de órgãos. Estes não são mais canibalismo. ("A Sentinela", 15/3/80, p. 31)

1980 - A Sociedade está agora montando centenas de CLHs ou Comitês de Ligação de Hospital. Mantêm-se listas de médicos simpatizantes, e os comitês se esforçarão para evitar que os médicos do serviço social tentem intervir em favor dos menores de idade.

1982 - A Sociedade introduz sua doutrina de componentes "maiores" e "menores" do sangue. Os menores são permitidos, os maiores são proibidos. A hemodiluição é listada como questionável. ("Despertai!", 22/6/82, p.25)

1984 - Transplantes de medula óssea são discutidos como assunto de decisão individual, mas parecem ser desencorajados. ("A Sentinela", 14/5/84, p. 31)

1984 - A Sociedade sutilmente abandona a idéia de que o coração literal é responsável pelas afeições, motivações, desejos e emoções. ("A Sentinela", 01/9/84, p. 6)

1985 - A AIDS é usada para dar credibilidade à postura da Sociedade sobre o sangue. ("A Sentinela", 15/6/85, p. 30)

1988 - A AIDS se torna um problema mundial que a Sociedade usa como prova das vantagens de sua doutrina, e declara que sua política tem protegido as Testemunhas de Jeová da moléstia. Porém, ela reconhece que cerca de 10.000 americanos com hemofilia foram infectados. O que ela deixa de mencionar é que essas pessoas se infectaram por causa dos fatores VIII e IX, os quais t6em estado na lista dos aprovados nos últimos 10 anos ou mais. A posição da Sociedade não ofereceu qualquer proteção para todos esses pobres irmãos. ("Despertai!", 08/10/88, p. 11)

1989 - A Sociedade parece abrir a porta para algumas transfusões autólogas intraoperativas. Mesmo não sendo mencionadas pelo nome, fica implícito que o uso de técnicas de varredura e desobstrução é permitido. ("A Sentinela", 01/3/89, p. 30,31)

1991 - As Testemunhas são encorajadas a ensaiar quais as respostas que deverão dar se interrogadas por um juiz.. (Ministério do Reino- 03/91)

1992 - A Sociedade diz para não nos preocuparmos se a comida contém ou não sangue, a menos que tenhamos uma boa razão para cermos que contenha. ("A Sentinela", 15/10/92, p. 30)

1994 - "Jovens que puseram Deus em primeiro lugar"- Artigo sobre jovens Testemunhas que morreram como resultado da proibição do sangue. ("Despertai", 22/5/94, p.3-15)

1995 - Discussão do fator RH (feito de soro sangüíneo). O artigo declara que "esta revista e sua companheira têm comentado consistentemente este assunto". ("Despertai!", 8/12/95, p.27) Note que a injeção de RH era absolutamente proibida até 1974, e ainda desencorajada até 1978.

1995 - Uma Testemunha pode ter seu próprio sangue transfundido de volta para si sob certas circunstâncias. A hemodiluição normovolêmica aguda (HNA) e o armazenamento autólogo de sangue ("Cell Saver"), são aceitáveis e envolvem um breve estocamento fora do corpo. ("A Sentinela", 01/8/95, p. 30)

1997 - Os anciões são encorajados a ajudar e a prover entendimento àqueles que tenham aceitado transfusões de sangue. Em casos juduciais, os anciões lembrarão de que o amor é a espinha dorsal do Cristianismo, e irão temperar a firmeza com o perdão. ("A Sentinela",15/2/97, p. 20)

Notas de rodapé:

1. Bruce M. Metzger: A Textual Commentary on the Greek New Testament, p. 430-1

2. Bruce M. Metzger: The Text of the New Testament, 1968, NY: Oxford University Press, p. 132